Arquivo de Novembro, 2011

“Enjoyed: A Tribute To Bjork’s ‘Post'”

Apresentado e compilado pelo mui recomendável blogue Stereogum, este tributo ao álbum a solo de Bjork, “Post”, é não só um catálogo de alguns dos mais inventivos e singulares músicos da cena alternativa mundial dos nossos dias (Liars, Dirty Projectors, Xiu Xiu, Final Fantasy, Atlas Sound, No Age…) mas também, e mais importante, uma prova de que estas músicas gravadas pela islandesa há cerca de quinze anos atrás continuam actuais e sem sinais de querer envelhecer. A maior prova de respeito e afecto que os intérpretes participantes neste tributo podiam mostrar para com o trabalho de Bjork era pegar nestes temas como se fossem seus. O óptimo resultado final comprova que esse objectivo foi plenamente atingido. Para ouvir e recordar um dos melhores álbuns da década de 90.

Download legal: http://cdn.stereogum.com/s3/enjoyed.zip

Artigo original: http://stereogum.com/enjoyed/

Ellington/Mingus/Roach “Money Jungle”


Gravado em Setembro de 1962, “Money Jungle” é o resultado do único encontro em estúdio destes três génios. Cada um deles foi, sem dúvida alguma, revolucionário na abordagem ao seu instrumento. Como podemos pensar no piano em Jazz sem nos lembrarmos de Duke Ellington? Ou como escrever a História do contrabaixo sem a revolução despoletada por cada nova gravação de Charlie Mingus? E o que seria de tantos modernos bateristas sem a precisão percussiva de Max Roach? Mas este disco não vale só pelas interpretações individuais mas principalmente por marcar uma diferença em termos de arranjos, que cortou totalmente com o legado quase institucionalizado e cristalizado dos tradicionais trios piano-contrabaixo-bateria da época, e de uma aposta em estabelecer novos limites dentro do género. E em relação aos temas gravados, podemos ouvir quatro estreias ellingtonianas: “Money Jungle”, “Fleurette Africaine”, “Very Special” e “Wig Wise”; bem como novas roupagens para três standards: “Warm Valley”, “Caravan” e “Solitude”. Em termos de som, existe uma edição em CD (Blue Note 2002), remasterizada em 24-bit e com takes alternativos como bónus, que faz justiça à gravação original.

Como diz Ellington na falsa partida de “Backward Country Boy Blues”, em que a introdução de Mingus é interrompida pelo produtor Alan Douglas: “Ah, that was so good… that was sweet…”

Rimbaud “À la Musique”

“Place de la Gare, à Charleville.

Sur la place taillée en mesquines pelouses,
Square où tout est correct, les arbres et les fleurs,
Tous les bourgeois poussifs qu’étranglent les chaleurs
Portent, les jeudis soirs, leurs bêtises jalouses.

− L’orchestre militaire, au milieu du jardin,
Balance ses schakos dans la Valse des fifres :
− Autour, aux premiers rangs, parade le gandin ;
Le notaire pend à ses breloques à chiffres.

Des rentiers à lorgnons soulignent tous les couacs :
Les gros bureaux bouffis traînent leurs grosses dames
Auprès desquelles vont, officieux cornacs,
Celles dont les volants ont des airs de réclames ;

Sur les bancs verts, des clubs d’épiciers retraités
Qui tisonnent le sable avec leur canne à pomme,
Fort sérieusement discutent les traités,
Puis prisent en argent, et reprennent : “En somme !…”

Épatant sur son banc les rondeurs de ses reins,
Un bourgeois à boutons clairs, bedaine flamande,
Savoure son onnaing d’où le tabac par brins
Déborde − vous savez, c’est de la contrebande ; −

Le long des gazons verts ricanent les voyous ;
Et, rendus amoureux par le chant des trombones,
Très naïfs, et fumant des roses, les pioupious
Caressent les bébés pour enjôler les bonnes…

− Moi, je suis, débraillé comme un étudiant,
Sous les marronniers verts les alertes fillettes :
Elles le savent bien ; et tournent en riant,
Vers moi, leurs yeux tout pleins de choses indiscrètes.

Je ne dis pas un mot : je regarde toujours
La chair de leurs cous blancs brodés de mèches folles :
Je suis, sous le corsage et les frêles atours,
Le dos divin après la courbe des épaules.

J’ai bientôt déniché la bottine, le bas…
− Je reconstruis les corps, brûlé de belles fièvres.
Elles me trouvent drôle et se parlent tout bas…
− Et je sens les baisers qui me viennent aux lèvres…”

Arthur Rimbaud


PAUS “PAUS”

Depois do EP “É Uma Água”, editado em 2010, e da participação no CD FNAC Novos Talentos do mesmo ano, a estreia em longa duração acontece com o álbum homónimo agora editado. O supergrupo da cena alternativa nacional (com elementos dos Linda Martini, Vicious Five e If Lucy Fell) apresenta-nos oito temas fortes e desafiadores que andam à volta do Rock e suas vertentes mais interessantes. Como elemento surpresa, já testado ao vivo, temos as vozes que aqui funcionam como mais um instrumento, em coro e sem necessidade de brilhar. Um disco coerente, equilibrado e cheio de temas que vão com toda a certeza amadurecer e explodir nas fulgurantes actuações ao vivo desta banda.